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Memórias de Hagar

by Philippe Afonso

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Comic Panel 1
Sinopse
Hagar foi alguém que atingiu o auge da glória como o guerreiro mais amado pelo seu povo. Aos trezes anos, quando estava no fundo do poço, fugiu de seu povo e vagou pela mágica floresta de Heimurgaldur, e em seu leito de morte foi ajudado pelo deus Olorun que lhe prometeu honras, conquistas e riqueza. Numa sucessão de acontecimentos trágicos, a morte de sua mãe, a pobreza extrema vivida, o alcoolismo do pai, a comovente história de Hagar mostra a vulnerabilidade se transformar em coragem. 
Hagar foi alguém que atingiu o auge da glória como o guerreiro mais amado pelo seu povo. Aos trezes anos, quando estava no fundo do poço, fugiu de seu povo e vagou pela mágica floresta de Heimurgaldur, e em seu leito de morte foi ajudado pelo deus Olorun que lhe prometeu honras, conquistas e riqueza. Numa sucessão de acontecimentos trágicos, a morte de sua mãe, a pobreza extrema vivida, o alcoolismo do pai, a comovente história de Hagar mostra a vulnerabilidade se transformar em coragem. 
Comic Panel 1
Prólogo

Eu nem sempre fui corajoso e destemido. Nem sempre fui a inspiração de alguém, que dirá de um povo. Nem sempre fui extrovertido, intuitivo e sentimental. Consequência de uma infância memoravelmente traumática e atrapalhada. Eu já fui a piada dentre os jovens. Já fui humilhado, cuspido, enganado...abandonado. Já fui deixado para trás quando deveria ser protegido. A vida nem sempre sorriu para mim. Eu não sabia se os deuses me odiavam ou amavam minha desgraça.

Preferia acreditar que era uma maldição. É mais confortável culpar o desconhecido quando algo inexplicável acontece. E há, de fato, pessoas sofrendo maldição por aí. Ela é como um pássaro que vagueia por aí até pousar em alguém. E toda maldição tem uma causa e quando não se repara nela, ela não acaba. Eu sabia que não era por algo que eu havia feito, mas poderia ser pelos meus antepassados. Hoje sei que não foi nada disso, pelo menos comigo não foi. Sei que foi apenas um infortúnio da vida, que, por vezes e aleatoriamente, “agracia” o seus com suas peripécias. Parece até que me refiro a Loki, trapaceiro e travesso que é, mas a vida, ele com certeza aprendeu com ela.

Mas eu evoluí. E como evoluí!! É claro que ninguém precisa passar por tanta desgraça para atingir um estado de evolução. Mas uma coisa eu te digo – Quando você a agarra após um passado sofrido, a sensação é muito mais prazerosa. Não recomendo, o caminho nem sempre leva a este fim. Mas se você estiver sofrendo com algo em sua vida, filho, alegre-se, muito provavelmente você está a um passo da evolução.
Prólogo

Eu nem sempre fui corajoso e destemido. Nem sempre fui a inspiração de alguém, que dirá de um povo. Nem sempre fui extrovertido, intuitivo e sentimental. Consequência de uma infância memoravelmente traumática e atrapalhada. Eu já fui a piada dentre os jovens. Já fui humilhado, cuspido, enganado...abandonado. Já fui deixado para trás quando deveria ser protegido. A vida nem sempre sorriu para mim. Eu não sabia se os deuses me odiavam ou amavam minha desgraça.

Preferia acreditar que era uma maldição. É mais confortável culpar o desconhecido quando algo inexplicável acontece. E há, de fato, pessoas sofrendo maldição por aí. Ela é como um pássaro que vagueia por aí até pousar em alguém. E toda maldição tem uma causa e quando não se repara nela, ela não acaba. Eu sabia que não era por algo que eu havia feito, mas poderia ser pelos meus antepassados. Hoje sei que não foi nada disso, pelo menos comigo não foi. Sei que foi apenas um infortúnio da vida, que, por vezes e aleatoriamente, “agracia” o seus com suas peripécias. Parece até que me refiro a Loki, trapaceiro e travesso que é, mas a vida, ele com certeza aprendeu com ela.

Mas eu evoluí. E como evoluí!! É claro que ninguém precisa passar por tanta desgraça para atingir um estado de evolução. Mas uma coisa eu te digo – Quando você a agarra após um passado sofrido, a sensação é muito mais prazerosa. Não recomendo, o caminho nem sempre leva a este fim. Mas se você estiver sofrendo com algo em sua vida, filho, alegre-se, muito provavelmente você está a um passo da evolução.
1
O fatídico dia
Capítulo 1
Eu estava a um passo da minha passagem a Niflheim. Completamente moribundo, já via a luz da morte vindo me buscar. Eu ansiava este momento, finalmente teria paz, finalmente minha dor e tormento acabaria. Lamentei, por um momento, ser aquele que morreria e ninguém se daria conta. Não fui capaz de ser alguém. Mas eu sou alguém. Pensei. Eu era uma pessoa, dotada de sentimentos, sonhos, medos...alegrias. Esta última nem tanto, mas eu tive lá meus momentos de risos. Contudo, nada disso teve peso na hora de finalmente querer partir dessa para melhor. Não, eu não estava cometendo suicídio. Do pouco que sabia dos Escritos, uma era que o suicídio não te levava para Niflheim, mas para um estado de completa inexistência, e por mais que eu desejasse me livrar daquela vida, eu ainda queria viver em algum lugar.

Mas de repente algo inusitado aconteceu. Sim, era ele. Demorei entender o que estava acontecendo, mas quando me dei conta, diante de mim o deus Olorun, o principal deus de nosso povo. 

Na grande criação da Árvore da Vida, os mortais e toda forma de vida em Midgard foram criados juntamente com as criaturas mágicas. Eram criaturas parecidas com os mortais, mas possuíam também características parecidas com os animais de Midgard, e em razão de sua aparência, eram mal vistos, pois acreditavam-se se tratar de uma anomalia da criação, que misturou mortal e animal num só corpo, fruto de um defeito. Um engano absurdo e cruel.
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